terça-feira, 21 de julho de 2009

Foto simbólica


Deixamos nosso apartamento numa sexta e viajamos de volta ao Brasil num domingo. Nessa sexta, logo depois do representante da agência imobiliária fazer o check up deles, colocamos as últimas malas no carro e fomos para a casa do Neco e da Emmanuelle, dois queridos amigos frutos desse período em Nice. Não sem antes tirarmos as últimas fotos da faixada do prédio, do nosso cantinho durante 3 anos e meio. Ai, ai.


O Dia do Amigo de ontem


Ontem recebi um texto lindo escrito pela Marcele "do Thiago" falando de amizade e não posso deixar de compartilhar. Quando leio textos de quem acho que tenho algo em comum, sempre identifico detalhes da minha própria história e sempre me emociono. Le voilà:

São poucos, mas preciosos. São poucos e representam aquilo que garimpei ao longo da vida. São o pouco que restou de fases por que passei e escapei ilesa, digo ilesa porque eram muitas as possibilidades para mim e também para cada um deles. Mas conseguimos nos reter, conseguimos que o vínculo fosse mantido apesar de. São poucos, eu sei, mas passaram comigo pelo vexame da banguelice da frente e pela felicidade da maternidade. São poucos, mas numa variedade de jeitos e tipos suficiente para que eu nunca me sinta sozinha no mundo e que me sinta pertencente.

Com eles, posso dividir, cantos, contas, contos, causos; planos, projetos, prosas, prazos; trincas, intrigas, futricas, titicas; receitas, recados, risadas e raios; ápices e declives; bares, boates, boatos; cozinhas, camas, mesas e banhos... Com eles, descobri que fui uma criança feliz, uma adolescente espevitada e revolucionária e me tornei uma mulher tranqüila, madura, consumista e metida a burguesa. Ao lado deles, vivi minha vidinha cotidiana no esquema escola-cinema-cursodeinglês-televisão; no esquema faculdade-estágio-bar-praia e no esquema trabalho-casa-trabalho. Com eles, aprendi a caminhar com minhas próprias pernas; a dar todas as voltas por cima que se fizerem necessárias; a entender que há quem puxe o tapete e há quem estenda mão e há quem bata a porta na cara e há quem abras as janelas e há quem descarte e há quem enalteça.

Eu só consigo concluir que quando se trata de amizade verdadeira não há hiato. O vínculo não se dissolve e permanece sólido apesar da geografia, da falta de tempo, do corre-corre da vida moderna, dos relacionamentos, da falta de telefonemas, das ausências justificadas ou não... Não há descaminho, mágoa, razão que fira a relação porque o que importa mesmo é o apreço, a admiração e o bem-querer reciprocamente apresentados. É claro que haverá desentendimento, desencontro, desespero, lágrimas, quem sabe... Mas depois dos pingos nos is, tudo volta ser como sempre foi, a conversa flui e a risada frouxa retoma seu lugar e a sensação de se estar à vontade, de poder dizer o que se quer, de compreensão toma seu assento.

É, eu tenho poucos, bons e bem garimpados amigos. É clichê e breguíssimo, eu admito, mas eles são como uma família para mim. Meu sentimento é muitas vezes (na maioria delas) muito bem disfarçado numa força que não possuo, mas preciso dizer que não há necessidade de expressão, de manifestações hiperbólicas, nem de declarações de amor. O que me faz amiga de vocês é saber que estaremos juntos mais uma vez, assim que possível e que neste reencontro seremos ainda os mesmos e dividiremos nossas histórias como se o tempo não tivesse corrido tanto.

Feliz dia do amigo!

Marcele Alencar - http://naoquerooutrolugar.blogspot.com/


Não é bonitinho? Não é corrente não, hein? É dela mesmo.

Readaptação

Voltamos. Voltamos porque nosso tempo na França deu o que tinha que dar, voltamos porque precisamos passar para a etapa seguinte das nossas vidas, voltamos porque nossa vida por enquanto é na Terra do Sol. Estes que voltaram, entretanto, são diferentes daqueles que partiram há uns bons anos. Vivemos tantas coisas novas que a impressão que fica é que este Brasil que nos recebe hoje caminhou lentamente enquanto corríamos uma verdadeira maratona. Nossa camisa está molhada de suor enquanto a daqueles que nos acolhem acabou de sair do varal.

Existe no ar um certo sentimento desnudado de pretensão de "não pertença" esquisito. Eu me digo pra deixar de frescura porque esta sempre foi a minha terra e que este sempre foi o meu povo. Quando há quase 8 anos atrás voltei de uma temporada no exterior e sofri horrores durante os três primeiros meses após minha chegada, pensei que era coisa de adolescente, mas hoje, passada essa nova experiência fora, tenho certeza que após toda adaptação precisamos sim de uma readaptação de volta, de um certo período em quarentena. Não é frescura, é um reaprender a viver, é retomar certos hábitos perdidos, é um verdadeiro processo de mudança através da descoberta de novas respostas as situações antigas (a Gestalt-Terapia que o diga!).

Nossas malas já estão desfeitas, mas ainda procuramos nosso espaço, nossa vida a dois, hoje transformada numa a 7, chegando a 12 ou 14 na hora do almoço.

Hoje vivemos um recomeço de só quem ousou experimentar vive, de só quem resolveu mudar... e como mudar faz bem! Quantas novas boas e tristes histórias temos a contar! Quantos lindos lugares conhecemos! Quantas pessoas maravilhosas foram descobertas! Vixe maria! Não troco, não vendo e não dou "novos recomeços" porque eles só existem depois "dos vividos".


segunda-feira, 6 de julho de 2009

domingo, 28 de junho de 2009

Estacionando

Que aqui no velho mundo é um verdadeiro parto estacionar o carro em locais gratuitos, que apenas os prédios mais novas têm garagem no subsolo e que só se para o carro quando se encosta no próximo ao fazer a baliza foram coisas que só aprendi quando cheguei aqui.

No Brasil neguinho tem o maior cuidado com o carro, temos tipos que vão dos que "faltam lamber o bem" aos que "classificam o possante no topo da lista de preferências, seguido pelo nome da namorada, família, cachorro, trabalho".

Modéstia à parte sou uma boa motorista, curto dirigir mesmo e não endosso o coro do "mulher no volante, perigo constante" não, mas visto as vagas minúsculas daqui, logo aprendi a técnica do só parar quando encostar e vou ter que me policiar pra não repetir tal comportamento no Brasil se tiver amor à vida.

Sei que nesses quase quatro anos vi cenas no mínimo hilárias de neguinho estacionando o carro. Vi "mansidões" dignas do mau humor dos franceses. Não sei quanto aos outros países da Europa, só posso falar da minha própria experiência, mas ao que parece a coisa não é muito diferente daqui não. Esse vídeo é na Alemanha, mas juro que escuto um "oh, monsieur" ao final. Acho que estou ouvindo coisa. Dividindo com vcs:

terça-feira, 23 de junho de 2009

Marujos, vida nova à vista

Correria, dias cheios de decisões, despaches burocráticos e nova vida à vista! Acho que vou demorar a dar o ar da graça por aqui. Enquanto a vida real borbulhar, a vida virtual ficará em stand by.

Partilhando um sentimento que bateu nos últimos dias: rapaz, vida de adulto não é fácil, hein? Todo dia é um problema novo que aparece. Vou te contar. A gente vai crescendo (hoje em dia só pros lados, ô desgraça!) e as responsabilidades só aumentando, aumentando. E olhe que a cegonha ainda não apareceu por aqui! E já estou cheia de cabelos brancos! Ó céus! Bom, esse é o lado que não vale a pena ser gente grande.

Fui... que a lista de pendências é grande.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Vizinho da sanfona

Há 3 anos e meio moro no mesmo apartamento e quase todos os dias um vizinho de cima do meu ap, que até hoje não descobri quem é, toca a sua sanfona pra quem quiser ouvir. Agora então, com o clima gostoso que chegou, ele (ou ela) escancara as suas janelas e adentra pelas nossas sem pedir licença. Uma delícia!

É o momento ZEN do dia. Como fico mais em casa agora, escuto-o com bem mais freqüência. Troco pelos forrós, que normalmente escutava a toda altura vindo dos vizinhos da minha mãe, na hora! Hoje só saí na sacada algumas músicas depois, dei uma olhadela pros outros aps e vi vários outros vizinhos curtindo o som. Legal, né?

O repertório passa por um monte de canção que só conheço de ouvido, mas sei que ele toca muita coisa da Edith Piaf, a mulher da famosa La Vie en Rose e Hymne à l'Amour. Nada mais Francês!

Uma outra que tb é dela e que ele sempre toca é esta, La Foule: